PARTE 1
A HISTÓRIA DO AEROSOL
O que é o aerosol? Basicamente o
aerosol é um sistema que consiste em uma embalagem que permita ser
pressurizada, onde temos no interior desta embalagem uma mistura de um
produto (desodorante, tinta, inseticida, etc.) e um gás propelente (isobutano,
butano, di-metil éter, etc.). Essa mistura permanece no interior desta
embalagem, por meio de um dispositivo que chamamos de válvula. Ao
pressionarmos essa válvula, a mistura de produto e gás é liberada
para a atmosfera sob a forma de um spray com o nome técnico de aerossol
(dispersão de partículas em um meio).
O aerosol assim como sua
indústria, tiveram franco desenvolvimento após a II Guerra Mundial. A patente deste tipo de embalagem
foi em 1862. Durante os anos de 1862 a 1940, diversas patentes foram
conferidas para o aerosol, onde foram reconhecidas, muito dos aspectos
fundamentais do aerosol, assim como as inúmeras vantagens de uso do
aerosol, as formulações, os gases propelentes, os sistemas de
válvulas e suas variantes para se obter partículas cada vez menores,
como a câmara de expansão no sistema da válvula (atuador).
Em 1862 Lynde requereu a patente da
válvula com um tubo de imersão para retirar líquido gasoso de uma
garrafa. Em 1899, Helbing e Pertesch descreveram um método de produzir
um spray como um jato fino de uma solução de materiais como goma,
resinas, nitrocelulose, etc., em cloreto de metila ou cloreto de etila.
Com o calor da mão, segurando o frasco, o cloreto de metila ou cloreto
de etila, provocava pressão suficiente para que a solução fosse
expelida através de um fino orifício. O principal objetivo da
invenção era aplicar uma fina e uniforme camada de um produto tipo
colódio para a
pele.
Gerbauer reconheceu o valor da
expansão da câmara, produzindo um spray mais fino em 1901. Naquele ano
ele obteve patente sobre um aperfeiçoamento do recipiente para manter e
descarregar líquidos voláteis.
Gerbauer aperfeiçoou seu
recipiente em 1902, onde as características dos produtos eram
controladas pela proporção dos orifícios internos e externos e isto
era controlado pelo grau de abertura da válvula.
Em 1903 Moore obteve a patente
sobre o atomizador de perfumes na qual o dióxido de carbono era
aplicado como propelente. A pressão do dióxido de carbono forçava a
solução do perfume para cima do tubo de imersão e através do bocal a
solução era aspergida.
As propriedades propelentes do
dióxido de carbono foram reconhecidas em 1921 por Mobler que obteve uma
patente sobre como dispensar líquidos anti-sépticos usando o CO2
como propelente.
Os mais significantes avanços
nesse campo do aerosol foram alcançados por Rotheim em 1931. O mesmo
relatou o método para atomizar composições que envolvia a
dissolução de materiais como, laque, sabonete líquido, resinas e
produtos cosméticos em di-metil éter, num recipiente fechado onde as
descargas eram realizadas através de uma válvula. Rotheim observou que
o spray variava em função da quantidade de di-metil éter no interior
do frasco.
Ele também constatou que era
necessário construir a válvula de forma que o orifício que levava à
câmara de expansão tivesse diâmetro menor do que o orifício aberto
para a atmosfera.
Além disso, Rotheim revelou outras
combinações que poderiam ser utilizadas como propelentes, assim como:
cloreto de metila, isobutano, cloreto de vinila, etc.
Quando o cientista belga Frederick
Swarts, descobriu em 1893 os clorofluorcarbonos (CFC), não imaginava
que meio século depois se tornariam o fundamento essencial de um novo
ramo da indústria.
A idéia de se usar os aerosóis
como forma de aplicação de produtos cosméticos e medicinais foi
imediata, porém era preciso primeiro provar a inocuidade dos
propelentes para homens e animais e para tanto foram realizados vários
testes.
Os clorofluorcarbonos (CFC) foram a
condição essencial para a produção em massa de aerosóis.
Nasceu assim a indústria do
aerosol, indústria hoje onde se empregam sofisticadas máquinas e
equipamentos movimentados por sistemas pneumáticos. A indústria do
aerosol engloba a produção de produtos cosméticos, farmacêuticos,
veterinários, domissanitários e industriais.
O aerosol consiste hoje em uma
grande indústria, bastante aprimorada nos países desenvolvidos, onde
equipamentos e produtos atingem alto índice de sofisticação.
Embora no início da indústria do
aerosol no Brasil fossem empregados tecnologia, equipamentos e matérias
primas importados, atualmente a indústria está francamente
desenvolvida e capacitada para atender às exigências do aerosol e se
está trabalhando insistentemente para que se estabeleçam práticas
idôneas dentro das indústrias, não só de serviços (envasadoras),
assim como, das empresas fornecedoras de insumos.
Walter
Bruno Chilomer
chilomer@cosmeticnow.com.br